quinta-feira, 7 de agosto de 2014
terça-feira, 5 de agosto de 2014
da adega para o escritório
Uma boa dose de lixívia, um tampo em mármore que substitui o de contraplacado e uns puxadores novos deram a esta mesa, perdida numa adega, uma nova vida num pequeno recanto de escritório.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
quarta-feira, 30 de julho de 2014
esta lua não é para tímidos
Aqui no Ribatejo
profundo, onde não chegam os postes da PT, chega-nos todos os meses a lua
cheia. Felizmente este satélite, o único satélite natural da Terra, ainda não
depende da lógica economicista de nenhuma multinacional. E não é preciso fazer
nenhum contrato de fidelização para a ver agigantar-se de tal forma que ilumina
tudo. Cada árvore, cada arbusto, cada flor mais insignificante, tem a sua
sombra, como numa noite americana*. Os morcegos fazem-nos tangentes, talvez
ofuscados com tanta luz. Ouve-se o piar dos mochos, o zunir das melgas o latir
dos cães e o coaxar de rãs no charco que ainda sobra do ribeiro. Mas não se
ouve o mais belo canto nocturno, o do rouxinol. Isto deixa-me intrigada. Uma
ave que canta e encanta noutras noites, fecha literalmente o bico, nas noites
de lua cheia. Fui investigar. Sendo uma ave tímida, que se esconde no meio da
vegetação e que raramente se deixa ver, os rouxinóis não conseguem passar
despercebidos nas noites de luar e por isso calam-se. Os machos cantam
regularmente à noite para atrair parceira. Mas não nas noites de lua cheia.
Esta lua não é para tímidos. A corte fica para outras noites menos reveladoras.
Que fique aqui bem claro, para os ornitólogos que me possam estar a ler, isto
não tem qualquer fundamento científico, baseia-se apenas na observação empírica
de alguém que gosta de arregalar a vista e tentar perceber o funcionamento do
universo que a rodeia, e por universo entenda-se o seu quintalinho.
*A noite
americana refere-se a uma técnica especial de fotografia, muitas vezes
utilizada no cinema, em que as cenas filmadas durante o dia, sob a luz do sol,
parecem passar-se durante a noite, sob a luz da lua.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
postes e posts
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A poucos dias de ser a blogger convidada do Lifecooler, e partindo do princípio que algumas pessoas vão entrar no quimaterapia pela primeira vez, convém esclarecer algumas questões. A primeira é talvez o nome do blogue, que nada tem a ver com terapias utilizadas no tratamento de doenças cancerígenas. Quimaterapia surgiu como um trocadilho com os nomes Quim, diminutivo de Joaquim, meu marido, e Marta, eu. O blogue e o que nele publicava em 2007, quando o iniciei, eram trabalhos que nos serviam de terapia. Uma forma de fugir à rotina do dia-a-dia. A segunda questão são os parcos posts. Um recém chegado pode achar o blogue escasso em conteúdos. Uma blogger que se preze não tem meses com apenas dois posts. O motivo não é preguiça, nem falta de assunto. É mesmo falta de rede.
A poucos dias de ser a blogger convidada do Lifecooler, e partindo do princípio que algumas pessoas vão entrar no quimaterapia pela primeira vez, convém esclarecer algumas questões. A primeira é talvez o nome do blogue, que nada tem a ver com terapias utilizadas no tratamento de doenças cancerígenas. Quimaterapia surgiu como um trocadilho com os nomes Quim, diminutivo de Joaquim, meu marido, e Marta, eu. O blogue e o que nele publicava em 2007, quando o iniciei, eram trabalhos que nos serviam de terapia. Uma forma de fugir à rotina do dia-a-dia. A segunda questão são os parcos posts. Um recém chegado pode achar o blogue escasso em conteúdos. Uma blogger que se preze não tem meses com apenas dois posts. O motivo não é preguiça, nem falta de assunto. É mesmo falta de rede.
Vou-vos contar um
segredo. Não digam a ninguém, até porque ninguém iria acreditar e poderiam
passar por tolos. Para falar ao telemóvel tenho que sair de casa. É verdade que
é mais complicado no Inverno, com chuva e frio, mas no Verão também não é
fácil, andar de telefone na mão à procura de rede, mais a Sul, mais a Norte,
conforme está o vento. Para ter internet, o filme torna-se ainda mais cómico,
ou melhor, trágico-cómico. Tenho um cabo USB de três metros em que uma
extremidade entra no portátil (um eufemismo, uma vez que não o posso tirar do
mesmo lugar) e na outra coloco a pen,
bem protegida do sol e da chuva com um saco de plástico, e atiro-o,
literalmente para o telhado. Começa a pesca. Se o mar estiver de feição consigo
uma pescaria de três tracinhos, se não recolho ao cais de convés vazio. É o que
acontece com maior frequência, daí os poucos posts.
Agora estão vocês a pensar "mas porque raio não instala
ela um telefone fixo com internet?" A pergunta é simples, mas a resposta é
muito complicada. O pedido foi feito à PT há quatro anos, e já tem mais
episódios que uma novela da TVI. Ao que parece são necessários seis postes para
trazer a rede fixa até aqui. Em tempo de vacas gordas a PT não olhava a gastos
e instalava um telefone fixo em qualquer ermo. Mas esse tempo já lá vai. E,
agora, a empresa que apregoa que a instalação é gratuita para o cliente,
diz-nos que não pode satisfazer o pedido porque não há infra-estrutura.
"Quer desistir do pedido?" pergunta a menina do outro lado do
telefone. E eu, lá no alto do monte, respondo "NÃO". Afinal a
esperança é a última a morrer.
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